Fábio Balassiano

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Desta vez, nosso convidado é Fábio Balassiano, que é colunista do blog bala na cesta e participa das transmissões como convidado especial da globo.com.

Ele fará uma análise da campanha do time do Chicago Bulls nesse primeiro quarto de temporada.

Fábio, já estamos chegando no primeiro quarto de temporada e até agora o time não engrena, apesar da grande expectativa criada. Como explicar?

Eu poderia ser simplista e dizer que sempre foi assim desde que o Scott Skiles chegou, com exceção da primeira temporada (a do fiasco), e a equipe se classificou aos playoffs. Mas não é bem isso. Esperava-se um salto de qualidade depois de o Chicago eliminar o Miami e ter perdido em seis jogos para o forte Detroit na temporada passada justamente pela maturidade de seus atletas, pelo maior entrosamento entre eles e a adição de bons calouros. Acho, sinceramente, que o maior problema foi exposto pelos Pistons nos playoffs passados. Todos aprenderam a jogar contra os Baby Bulls (fecharam a parte externa do garrafão, obrigando o jogo interior da equipe, que é bem deficiente), e estão executando bem as suas táticas. O baixo rendimento de Hinrich (piores médias da carreira em pontos, percentual de arremessos e aproveitamento de 3 pontos), do Gordon (piores médias nos arremessos também) e a não renovação dos contratos deste (Ben Gordon) e do Deng podem ter interferido também, além dos constantes rumores de troca, que acabaram não acontecendo.

Vimos nesse começo o técnico Scott Skiles com algumas declarações polêmicas em relação aos seus jogadores. Será que isso pode estar interferindo no rendimento? Será que ele tem participação nessa fraca campanha?

Todos têm participação na campanha ruim até aqui, inclusive ele. Skiles pode ter razão, mas não pode chamar publicamente um jogador de “preguiçoso”, como disse do Tyrus Thomas. Tampouco pode dizer que o Luol Deng voltou cansado de sua viagem à Inglaterra, fato negado veementemente pelo atleta várias vezes. Uma atitude desaconselhável, principalmente para uma equipe jovem, e à época em crise. Mas, na minha opinião, seu maior erro é não ter mantido um quinteto titular até agora. Os Bulls são o time com maior número de quintetos diferentes até aqui (mais que os Knicks…), e o fator é simplesmente técnico (e não de lesão). Pode-se argumentar também que sua carga tática ofensiva é absolutamente defasada e óbvia, razão pela qual seus armadores, agora mais vigiados, não encontram espaços para atuar.

Em relação às contratações feitas,valeram a pena?

À rigor, o Chicago só contratou calouros, além do veterano Joe Smith, um ala-pivô com alguma técnica, mas sem potencial físico. Quanto aos jovens, o Joakim Noah é excelente, ao meu ver, e precisa apenas de tempo de quadra e mais massa muscular. Como seu forte sempre foi a defesa, não esperem dele 20 pontos por noite (em Flórida, seu aproveitamento era excelente – cerca de 61%, mas sua pontuação não passou de 14). O Aaron Gray é alto e de ótima técnica, mas seu jogo de pernas é deficiente, seu condicionamento físico não é dos melhores e, o pior, ele não defende muito bem.

O que poderia ser feito para reverter tal situação? Trocar o técnico resolveria?

Acho que a solução do Chicago está na própria equipe mesmo. Trazer um ala-pivô com arremesso (Pau Gasol, talvez) é uma das boas idéias, sem dúvida. A outra é reconhecer que a equipe precisa renovar suas táticas, jogar de forma diferente. Hoje em dia, o time do Skiles é facilmente marcado. Mesmo assim, eu não trocaria o comando, ainda. Falam em Rick Carlisle, mas o Rick, apesar de gostar dele, sempre se caracterizou mais pelas ações defensivas que ofensivas de seu time.

Paxson, que sempre foi elogiado pela imprensa e torcedores, agora tem sofrido críticas. Quais foram exatamente os erros e acertos e até onde isso também pode estar interferindo no rendimento?

Paxson merece crédito por tudo o que fez até aqui (vide a reconstrução bem feita do time, mesmo que com um dedo do Jerry Krause), o que não invalida críticas por conta de seus presentes e futuros equívocos. Acredito que seu maior erro foi deixar solto o vulcão de rumores sobre trocas (Kobe, Gasol e Garnett), fator pelo qual as renovações de atletas importantes (Gordon e Deng) acabaram não acontecendo. Mesmo que isso não sirva de álibi, gerou desconfiança e ansiedade no elenco. Além disso, podem crucificá-lo pela troca que trouxe o Tyrus Thomas para Chicago e enviou o LaMarcus Aldridge para Portland. O ala-pivô dos Blazers é ótimo.

Como explicar o início tão ruim de jogadores importantes do time como o Hinrich, Gordon, Deng e Wallace?

Hinrich, Deng e Gordon não têm arremessado bem, principalmente por conta das fortes marcações que têm sofrido (por causa do inexistente jogo de garrafão do Chicago, há sempre uma sobra por fora do garrafão, como o Detroit fez nos playoffs). Quanto ao Ben Wallace, seu potencial físico e entusiasmo não são os mesmos, ao meu ver. Em Detroit ele era peça fundamental na engrenagem defensiva do time. Em Chicago, quase todos defendem muito bem. Se isso não bastasse, o jogo tem mudado de tempos pra cá (com a volta de equipes ultra-ofensivas) e seus predicados defensivos agora são menos exigidos, deixando, por outro lado, seu péssimo arsenal ofensivo mais à mostra do que nunca.

Sobre os calouros, você acha que eles estão surpreendendo ou decepcionando?

Como disse acima, o Noah tem muito futuro, mas como pivô – e se ganhar mais força física e aprender a arremessar com mais regularidade. Não acredito muito no Gray. E, apesar de ter ouvido boas referências sobre o Demetris Nichols, não o vi jogar o suficiente para avaliá-lo. Muita gente critica a escolha do Paxson pelo Noah, mas é só olhar a lista do Draft e comprovar que nada que veio depois dele foi tão estupendo assim.

A atitude do Thomas ontem  contra o Pacers será que é reflexo do ambiente do time?

Acho que não. O caso do Tyrus Thomas merece ser tratado de forma isolada. Apesar de talentoso, ele é jovem, inexperiente e, algumas vezes, estúpido em suas declarações (vide a do ano passado no All-Star). Pelo que leio, o ambiente é bom na equipe.

Fábio, agradecemos muito pela entrevista e por seus comentários que estão nos ajudando a tentar entender o que está acontecendo com o time.

Quem agradece o convite sou eu. Mas, na verdade, vocês do site é que nos ajudam a entender o que se passa com o Chicago Bulls. Tomara, pra vocês e para o meu irmão (que também é torcedor fanático da franquia), que a situação logo se resolva.

* Entrevista realizada em 16 de dezembro de 2007.

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