Fábio Sormani

Fabio Sormani

A equipe do Chicago Bulls Brasil entrevistou Fábio Sormani. Jornalista há 30 anos, tem no seu currículo eventos como All-Star Weekends e finais da NBA e já passou pelos mais importantes veículos de comunicação do país.

Atualmente, é um dos colunistas do Portal Terra, onde comenta a NBA diariamente no seu blog. E é com a propriedade de alguém com essa experiência que Sormani analisa a campanha do Bulls, o desempenho dos brasileiros na liga e ainda relembra um pouco do passado.

O Bulls era apontado, há dois anos, como uma das grandes equipes do leste. Entretanto, correspondeu de forma contrária às expectativas. O que pode ter provocado uma queda tão grande?

Experiência mal sucedida com o técnico Scott Skiles, que não conseguiu dar uma cara à equipe. Além disso, o time foi perdendo suas grandes promessas, como Jamal Crawford e Eddie Curry, que foram para o New York. E outros jogadores, como Ben Gordon e Kirk Hinrich, nunca comprovaram na NBA o que deles se falavam no “college”.

Muito se fala em usar Drew Gooden, que tem contrato expirante, como moeda de troca. Mas, ao mesmo tempo, ele tem sido um dos bons jogadores da equipe na atual temporada. Qual o procedimento correto a ser feito?

Segurar o Gooden. O Chicago não pode soltar este jogador. Ele pode não ser o ala-pivô dos sonhos de um grande time, mas ele é muito útil. Faz lembrar o Horace Grant – aliás, com um pouco mais de qualidade.

Como pode ser avaliado o trabalho de John Paxson, GM do Bulls? Ele tem parcela de culpa?

Paxson não conseguiu arquitetar uma equipe – pelo menos até agora. A contratação do Vinny Del Negro foi um equívoco muito grande. A idéia do Paxson é fazer do atual treinador o que Jerry Krause fez com Phil Jackson, à época um treinador jovem como Del Negro, cercado por dois assistentes experientes, como Tex Winter e John Bach. Hoje, o atual treinador do Bulls conta com Bernie Bickerstaff e Dell Harris, dois veteranos da NBA. Além disso, algumas trocas que ele fez foram um desastre, como a do LaMarcus Aldridge pelo Tyrus Thomas. Recrutar o Joakim Noah foi igualmente um erro; o Chicago perdeu um draft nove com ele, um absurdo. Estendeu os contratos do Luol Deng e do Andres Nocioni por uma quantia vultosa, outro absurdo, e até agora não acertou com o Ben Gordon, que pode sair ao final desta temporada. Enfim, um desastre como GM.

O que é necessário mudar no elenco? Quem você tentaria manter e quem gostaria de envolver numa negociação?

Deste grupo eu manteria o Derrick Rose, claro, Ben Gordon, Kirk Hinrich, Thabo Sefolosha e Drew Gooden. Os demais eu descartaria. Mas com o salário do Deng e do Nocioni, quem é que vai querê-los? A menos que Manu Ginobili, com sua influência dentro do San Antonio, convença Gregg Popovich a contratá-lo. Acho pouco provável que uma equipe queira o argentino. O mesmo vale para o sudanês naturalizado inglês. O Chicago, parece-me, está num mato sem cachorro. Vai sofrer um bom tempo, a menos que o Paxson mostre-se mais genial do que a gente imagina.

Antes de a temporada começar, nomes como Avery Johnson, Rick Carlisle e até mesmo Doug Collins, que passou por Chicago antes de Phil Jackson, foram cogitados para comandar o time. Quem seria o homem ideal, dentre os disponíveis, para assumir a equipe?

Doug Collins não quer mais saber de treinar. Então, vamos descartá-lo. Jeff Van Gundy está no mercado. Mike Fratello também. Idem para Sam Mitchell, que acabou de sair do Toronto, além de P.J. Carlesimo e Moe Cheeks. Dos que aí estão, eu pegaria o Mitchell, que já foi eleito “Coach of the Year”, tem personalidade forte, sabe se impor e conhece o jogo.

E Vinny Del Negro? É um treinador que pode dar certo?

Não acredito.

O que é o ideal para ser feito por uma franquia que quer se reconstruir?

Um treinador capaz e um GM competente. Os dois, de mãos dadas, conseguem reerguer uma franquia.

Você já cobriu algumas finais de NBA e já teve a oportunidade de ver Michael Jordan por diversas vezes. Qual a partida que você já presenciou em uma decisão e que considera inesquecível? E qual foi a série final que você mais gostou de presenciar?

A partida final do Jordan contra o Utah, em Salt Lake City, com a cesta em cima do Byron Russell é inesquecível para mim. A série contra o Seattle foi a que eu mais curti, pois o Sonics era um time muito bem arrumado, com o Gary Payton e o Shawn Kemp jogando muito.

E qual a imagem que você julga ser a mais memorável de Jordan?

Que eu vi ao vivo? A cesta em cima do Bryon Russell. A que eu vi pela TV, a bandeja na série final contra o Lakers, em Los Angeles, quando ele troca de mão e manda a bola para a cesta. Aquilo foi memorável.

Além de MJ, o Bulls, nos anos em que foi campeão, teve outros ótimos jogadores no elenco, que davam todo o suporte necessário ao astro. Qual a importância de peças assim para uma equipe que quer chegar ao título?

Grande demais, pois a gente sabe que sozinho Jordan não levaria o Chicago a nenhuma conquista. Scottie Pippen foi seu grande escudeiro. Era uma espécie de faz-tudo. Jogava em quase todas as posições – menos no pivô. E jogava bem. Aliviava muito da pressão em cima de MJ. E Dennis Rodman, que foi um dos maiores jogadores da história da NBA. Ele, além de trancar o garrafão defensiva e invadir o ofensivo, desconcentrava sempre os jogadores adversários com suas provocações, que passavam batidas pela arbitragem. Foi um gênio também.

Leandrinho, jogando no run and gun de Mike D’Antoni, já conquistou o prêmio de melhor reserva. Com a equipe visando mudar sua filosofia, tentando dar mais atenção à defesa e ao jogo bem distribuído ofensivamente, você acredita que ele conseguirá se adaptar totalmente à essas mudanças?

O Phoenix não mudou nada em relação do time do Mike D’Antoni. Continua sendo uma equipe que prima pela ofensividade e que não consegue marcar. Terry Porter já descobriu isso e desistiu de seu projeto de melhorar a defensiva da equipe. O problema do Leandrinho é que o treinador não gosta de seu jogo. Por quê? Não sei. Ele não tem futuro na franquia com o atual treinador.

Pode-se dizer que tanto Nenê quanto Varejão estão passando pelo melhor momento de suas carreiras?

Sim, os dois cresceram demais nesta temporada, principalmente o Nenê, que é peça fundamental dentro do esquema do técnico George Karl. Além disso, ele ganhou o reconhecimento da torcida e da mídia local, o que é muito importante, pois dá segurança para trabalhar. Quanto ao Varejão, o fato de ele ser protegido pelo LeBron James já diz tudo.

Qual brasileiro tem mais chance de ser campeão em um futuro próximo?

Varejão, claro, pois joga ao lado de LBJ.

Certa vez, você defendeu a hipótese de compra e venda de jogadores na NBA, assim como acontece no futebol. Seria mesmo a medida mais interessante para as equipes?

Na verdade isso existe na NBA, mas não é uma prática muito usada. Há casos de jogadores – de menor expressão, é bom que se diga – que deixaram uma franquia, foram para outra em troca de dinheiro apenas. Dominique Wilkins, um dos maiores alas da história da liga, foi recrutado pelo Utah no NBA Draft de 1982. Na mesma noite, foi trocado com o Atlanta por dois jogadores sem grande expressão e uma quantia em dinheiro.

A Europa tem investido pesado nos últimos meses para tentar fazer com que a sua liga chegue no nível da NBA, no que diz respeito à importância. É possível que, um dia, a liga norte americana seja desbancada por alguma outra?

A Europa não tem dinheiro disponível para o basquete. O dinheiro europeu é destinado para o futebol. Esquece, a NBA não será ameaçada jamais pelo basquete europeu.

Por fim, quais equipes, além de Lakers e Celtics, podem disputar o título desse ano?

Orlando, pelo sistema de jogo (quatro abertos e um pivô, contrariando o lugar-comum da NBA) e por Dwight Howard, e Cleveland, por causa da aquisição do Mo Williams e, obviamente, LeBron James. Colocaria num nível inferior o San Antonio Spurs, por causa da idade de seus jogadores. Boston, Cleveland, Lakers, Orlando e San Antonio, em ordem alfabética, são os favoritos ao título desta temporada.

* Entrevista realizada em 5 de fevereiro de 2009.

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