Zé Boquinha

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José Roberto Lux, o Zé Boquinha, conversou com a equipe do Chicago Bulls Brasil. Ligado a0 esporte desde a sua infância, quando dividia suas atenções entre o futebol e o basquete, o comentarista dos canais ESPN falou um pouco sobre a temporada atual da NBA, contou histórias do passado e relembrou momentos da sua carreira.

Aproveitando o fato de ser uma pessoa que vivenciou os tempos de glória do basquete nacional, apontou alguns problemas existentes, principalmente na administração.

Seu primeiro esporte foi o futebol. Entretanto, aos 15 anos, você começou a se aproximar do basquete. O que ele representou na sua vida a partir do momento que você começou a jogar?

Joguei os dois esportes até os 20 anos profissionalmente. Mas, o basquete foi onde consegui maior projeção e me abriu todas as portas possíveis. Numa época em que o esporte era um meio e não um fim, consegui cursar três faculdades, fiz carreira em Banco e trabalhei numa multinacional durante 11 anos (Singer do Brasil), além de ter conhecido uma grande parte do mundo.

Na sua carreira, tanto como jogador quanto como treinador, qual foi a conquista que teve maior significado pra você? E qual sua maior decepção?

Entre as grandes conquistas, ressalto o Campeonato Paulista de 1987, Sulamericano e Panamericano de clubes em 1995 – todas com Rio Claro e todas consideradas “zebras”. Mas a mais emocionante foi a do Campeonato Carioca de 1998, com Flamengo, contra o Vasco.

A maior decepção é ver a situação atual de nosso basquete e não poder fazer nada, e também, por não ser político e não puxar o saco de ninguém, não ter dirigido uma Seleção Brasileira, onde tenho absoluta certeza que poderia mudar e acrescentar muita coisa.

Além de Boston Celtics e Los Angeles Lakers, times que disputaram a final no ano passado, você enxerga mais alguma outra equipe com condições de chegar à decisão?

Costumo dizer que o San Antonio Spurs é o São Paulo da NBA, e isto está sendo demonstrado. Depois de um início horrível, já está entre os primeiros do Oeste. Do lado Leste, se o Cleveland e LeBron mantiverem o nível de competição que a equipe assumiu nesta temporada, mais a excelente forma do Varejão, é concorrente, juntamente com Orlando Magic e Detroit Pistons.

Antes de entrar para a NBA, Derrick Rose já foi comparado com vários armadores, desde Jason Kidd a Jerry Sloan, armador dos anos 60/70 do Bulls e que hoje treina o Utah Jazz. Vendo-o atuar, com qual jogador você acha que ele se parece?

Derrick Rose me lembra muito o estilo de Rolando Blackman.

O armador Larry Hughes, em alguns momentos, reclamou publicamente sobre a sua condição de reserva. Você, que já comandou vários jogadores ao longo da carreira, entende que isso seja uma maneira do atleta dizer que é melhor do que os que estão em quadra? E até que ponto isso pode prejudicar a química da equipe?

 Ele não pode assumir esta posição. Porém, cabe ao técnico da equipe dar um “chega pra lá” e dizer à ele o seguinte: “Você joga e eu dirijo”.

Com um técnico inexperiente e um elenco jovem, o que se pode esperar do futuro do Bulls?

Honestamente, não acredito, a curto prazo, que o Bulls consiga bons resultados. O técnico deveria ser alguém com mais experiência, pra que houvesse uma química com a equipe.

Michael Jordan foi mesmo o maior jogador da história? O que o diferenciava em relação aos outros grandes craques que já passaram pela liga?

O Jordan sobrou na turma. Ganhou, quase que sozinho, seis títulos. É mais ou menos o que acontecia com Pelé. Existiram jogadores espetaculares, mas nenhum tão completo como ele, além da condição atlética das mais privilegiadas. Uma das melhores definições do Michael é a que eu ouvi do Magic Johnson, que disse o seguinte: “No chão, os melhores sou eu e o Larry Bird; no ar, o Jordan”.

Karl Malone e John Stockton, Michael Jordan e Scottie Pippen. Qual outra dupla da mesma importância você destacaria? E atualmente, existe alguma que te chame a atenção?

Magic e Kareem, Tim Duncan e David Robinson, Isiah Thomas e Joe Dumars.

Qual a história mais curiosa que você já presenciou ao longo de todos os anos que acompanha basquete?

Existem tantas historias que dá pra escrever um livro. Uma delas aconteceu em Montevidéu, em 1969, quando disputamos um quadrangular jogando pelo Tenis Clube de Campinas (e ganhamos), e após o torneio, eu estava jogando na roleta no casino Carrasco,e junto comigo, o nosso pivô da época, Emil Rached, que tinha só 2,23 m de altura e chamava “pouca” atenção. Quando um dos componentes do Casino pediu que nos retirássemos porque todas as mesas estavam desertas – e eram muitas – e todas as pessoas estavam em volta de nós. O jogo tinha parado no Casino.

Entre os brasileiros que estão na NBA, qual tem jogado melhor?

Sem dúvida nenhuma, o Nenê. O Varejão faz também sua melhor temporada, e o Leandrinho, com altos e baixos, parece que não está adaptado ao novo técnico.

Existe algum jogador brasileiro que você acredita que possa ir para a NBA nos próximos anos?

Não vejo nenhuma revelação de alto nível em nosso basquete.

Vimos, nos últimos anos, a Argentina, que, historicamente, nunca teve uma grande tradição no basquete, tornar-se uma potência mundial. Enquanto isso, o Brasil não participa dos Jogos Olímpicos desde 96. Além dos cartolas, quais os problemas do nosso basquete? O que pode ser feito para o surgimento de uma boa safra de novos jogadores no futuro?

A Argentina começou a se estruturar há mais de 20 anos e colhe hoje os frutos. Não temos técnicos de ponta nas categorias de base que possam lapidar nossos garotos. Também dá pra apontar a falta de esporte nos colégios, que sempre forneceu atletas para os clubes, a falta de credibilidade que inibe os patrocinadores, e daí pra frente…

Por que não conseguimos reunir os nossos melhores jogadores na seleção? E por que muitos dos que aceitam a convocação acabam não atuando da mesma maneira que jogam em seus times?

A falta de um técnico agregador, que converse pessoalmente com os jogadores que atuam fora do país e que acreditem no que ele está falando. E, claro, a total falta de crédito da CBB e seus dirigentes.

O que podemos esperar do Novo Basquete Brasil?

Tomara a Deus que surja alguma coisa em que as equipes e os técnicos trabalhem para melhorar o basquete brasileiro e não para apenas tirar vantagens dele.

Recentemente, perdemos o Rosa Branca, um dos maiores nomes do basquete nacional do passado. Você concorda que existe, no Brasil, um certo esquecimento em relação ao passado e, conseqüentemente, falta reconhecimento aos que tanto fizeram pelo nosso esporte em anos anteriores?

Sem dúvida nenhuma. Nós sempre dissemos que o esporte brasileiro não tem memória. Os grandes jogadores são sempre deixados de lado, porque o basquete é dirigido por gente que não é do meio ou por esportistas frustrados, que não deixam que aqueles que conhecem os problemas possam ajudar e não permitem que cheguem perto. A vaidade impera e muito no meio.

* Entrevista realizada em 15 de fevereiro de 2009.

Uma resposta para “Zé Boquinha

  1. Não gosto desse boquinha, sempre coloco SAP na espn pra não ter que ouvir as baboseiras que ele fala. Mestre Tureta do canal Space é ou que nem Jesus Cristo agüentaria.

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